Uma pesquisa realizada na UFMG e publicada pela IWA trouxe uma metodologia simples e inovadora para analisar a qualidade do efluente gerado nas Estações de Tratamento de Esgoto, principalmente em localidades menores e com menor acesso a alguns equipamentos de infra-estrutura laboratorial. Sabe-se que nessas regiões, o monitoramento da qualidade do efluente é realizado em frequencias muito baixas, e por isso a importância do estudo realizado pelo Professor Marcos von Sperling, pela aluna de mestrado Emmanuelle Machado Maia Nogueira Lima e pela mestre Mirene Augusta de Andrade Moraes.

Garrafa pet transparente com amostra de esgoto e escala de cinza ao fundo

A metodologia consiste em uma escala de cores de cinza para analisar a turbidez do efluente gerado. A escala varia de 1 a 6 (como pode ser observado na figura abaixo), com diferentes intensidades de cinza impressos, e é colocada atrás de garrafas PET transparentes contendo a amostra. Ela permite uma indicação da faixa de turbidez na amostra (1 é a mais transparente e só pode ser visualizada se o efluente estiver bem clarificado; no outro espectro, 6 é o mais escuro e indica efluentes altamente turvos).

O estudo permite uma correlação da trubidez com sólidos suspensos totais (SST), demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e demanda química de oxigênio (DQO) com base em milhares de dados monitorados e coletados no efluente de sete diferentes processos de tratamento no Brasil: reator anaeróbio de manta de lodo e fluxo ascendente (UASB), filtros biológicos percoladores, lodos ativados, wetlands horizontal, wetlands vertical, lagoas de polimento e filtros após lagoas. A partir das análises realizadas obteve-se uma relação direta entre os parâmetros citados, e foi desenvolvida uma tabela e gráficos para auxiliar na interpretação dos resultados obtidos.

Escala de cinza e as faixas para os valores de turbidez, sólidos suspensos totais, DBO e DQO

O método é simples e instantâneo, pode ser usado em praticamente todos os lugares e em todas as visitas do operador à ETE, permite a gravação da imagem em smartphones, não utiliza nenhum equipamento, produtos químicos ou energia, e demonstrou representar bem a qualidade do efluente de ETEs existentes. É importante ressaltar que este ensaio é complementar e não substitui o método tradicional de amostragem e análise, mas permite fácil e rápida inferência de deterioração da qualidade do efluente.

O artigo completo (em inglês) pode ser lido pelo link: https://iwaponline.com/wst/article/82/7/1380/76530/A-simple-field-essay-for-detecting-departures-from.