Já imaginou se você pudesse produzir energia com o seu cocô? À primeira vista pode parecer até nojento, mas é uma proposta ecologicamente correta e está voltada para o futuro. O biogás que é produzido durante o tratamento anaeróbio do esgoto, que muitas vezes é queimado para evitar a poluição atmosférica pode virar um subproduto de alto valor energético agregado.

Cada vez mais as pesquisas comprovam que é possível recuperar recursos por meio do tratamento de esgoto. Das lavouras aos carros, os subprodutos do tratamento de esgoto podem gerar fertilizantes agrícolas, bioplástico, gás de cozinha, etanol, entre várias outras coisas.

Hoje falaremos de como o tratamento de esgoto pode gerar energia. Siga a leitura e aprenda.

 

Tecnologias de tratamento de esgoto que geram energia

Para começo de conversa um ponto precisa ser levado em conta. Nem toda tecnologia de tratamento de esgoto é capaz de produzir energia. Aqui, atentamos mais para os tratamentos biológicos de esgoto, ou seja, aqueles que utilizam microrganismos ou algas para degradação da matéria orgânica. Entretanto, também existem os tratamentos físicos e químicos.

Alguns métodos de tratamento de esgoto, mesmo os biológicos, demandam energia, como é o caso de lodos ativados. Isso porque no tratamento aeróbio é necessário introduzir oxigênio ao esgoto para a manutenção da atividade bacteriana aeróbia.

O Brasil, como país tropical, pode se aproveitar do clima para que as tecnologias anaeróbias (ausência de oxigênio) sejam menos onerosas, já que em climas quentes não é necessário gasto energético para manter uma faixa de temperatura adequada a manutenção das bactérias anaeróbias.  Essa tecnologia, por sua vez, é capaz de gerar energia através do biogás.

Vale ressaltar, que embora haja possibilidade de aproveitamento energético para tecnologias anaeróbias, deve ser feito uma avaliação criteriosa para mensurar se o volume de gás produzido é suficiente para que valha a pena aproveitá-lo energeticamente.

tratamento de esgoto gerando energia

Nem toda tecnologia de tratamento de esgoto é capaz de gerar energia.

Mais adiante falaremos mais sobre a produção do biogás no tratamento de esgoto. Continue a leitura.

Geração de biogás no tratamento de esgoto

O reator UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket reactor, ou em português, Reator Anaeróbio de Manta de Lodo e Fluxo Ascendente) é uma tecnologia de tratamento de esgoto que produz biogás

O biogás é formado a partir da atividade de microrganismos anaeróbios na degradação da matéria orgânica presente no esgoto. Ele é uma mistura de gases formado por diversas substâncias: metano, nitrogênio e gás carbônico, apresentando, ainda, em pequenas proporções, oxigênio, hidrogênio, gás sulfídrico, monóxido de carbono, amônia, siloxanos, água e material particulado.

O gás metano, principal constituinte do biogás, é também o principal gás que potencializa o efeito estufa, sendo extremamente prejudicial ao meio ambiente se lançado na atmosfera. Entretanto, o metano possui um elevado poder calorífico e pode ser coletado e convertido em energia.

Dessa forma, o biogás pode ser utilizado para cozinhar alimentos, iluminação, refrigeração de alimentos e aquecimento de água; para geração de calor em caldeiras, fornos e estufas; para geração de eletricidade para uso na própria ETE ou nas áreas vizinhas; na cogeração de eletricidade e calor; e como combustível alternativo visando à injeção na linha de gás natural ou o aproveitamento como combustível de carros.

biogás em franca

Produção de Biogás em Franca(SP)

Há inclusive alguns debates com relação a utilização do biogás nos transportes públicos. Uma maneira ecologicamente viável de reaproveitar esse subproduto do tratamento de esgoto. Para cada uso, no entanto, é necessário um nível diferente de tratamento do biogás, tais como a remoção do gás sulfídrico e do condensado ou a remoção do gás carbônico para atingir um maior grau de pureza de metano.

Outras fontes de energia

O biogás não é a única fonte de energia que pode ser recuperada do esgoto. Em outros métodos de tratamento de esgoto, como nas lagoas de alta taxa, em que se utilizam algas para a depuração da matéria orgânica, podemos gerar biocombustíveis.

As lagoas de alta taxa geram uma biomassa de microalgas que pode ser utilizada como um subproduto do tratamento de efluentes. Algumas formas de aproveitamento são alimentação de animais (como tilápias); recuperação de compostos bioquímicos; uso como fertilizantes de solo e produção de biocombustíveis, como biometano e bioetanol.

A produção de biomassa de microalgas para seu posterior aproveitamento, energético ou industrial, tem sido foco de pesquisas em todo o mundo. Essas microalgas são ricas em carboidrato e lipídeos (gorduras). Através de processos bioquímicos, carboidratos das microalgas podem ser transformados em bioetanol e os lipídeos em biodiesel.

O tema da produção de biocombustíveis por meio do esgoto, entretanto, será tema de futuros conteúdos que iremos produzir. Há ainda muito a se discutir sobre o biogás também. No próximo domingo, às 19h, lançaremos no nosso IGTV e Facebook um vídeo sobre as pesquisas produzidas no âmbito do INCT ETEs Sustentáveis no Paraná sobre esse tema. Siga nossas redes sociais e fique por dentro das novidades com relação as pesquisas em tratamento de esgoto.