Fevereiro tem Carnaval, como canta Jorge Ben, e no Carnaval tem banheiro químico. A falta de banheiros públicos somada à grande quantidade de pessoas faz dos banheiros portáteis uma ótima opção para dar conta da demanda por sanitários.

Mas a banda passa, o bloco termina e os dejetos do banheiro químico, pra onde eles vão?

Hoje vamos responder a essa pergunta. Continue a leitura e aprenda!

Os banheiros químicos

banheiros químicos no carnavalOs banheiros químicos são estruturas de 1,2 m de cada lado e 2,3m de altura. Seu peso é de aproximadamente 80kg e eles são feitos de fibra de vidro ou polietileno, dois materiais recicláveis de fácil higienização.

Capazes de armazenar entre 180 a 280l de dejetos, os banheiros portáteis nem sempre foram assim. A origem dos pipi-móveis remonta aos anos 1940, na Califórnia, Estados Unidos. Lá, um engenheiro percebeu que os funcionários demoravam muito entre a construção de barcos e as docas, onde haviam os banheiros. Foi então que ele encomendou uma estrutura de madeira portátil, em que os dejetos eram armazenados na parte inferior.

A ideia foi se desenvolvendo ao longo do tempo. Até chegar nos dias atuais, em que se adicionam químicos para inibir a atividade de microrganismos e evitar os maus odores. Hoje os banheiros portáteis são amplamente utilizados na construção civil, em mineradoras, em eventos, ônibus e aviões, entre outros locais.

Ainda que não seja a estrutura mais confortável para realizar nossas necessidades é uma ótima solução para locais que não possuem uma quantidade suficiente de banheiros. Mas será que esses efluentes são tratados? Eles podem causar problemas ambientais? Siga a leitura que te contamos.

Todo dejeto de banheiro químico vai para algum lugar

Carnaval termina na Quarta-feira de cinzas, e com ele os banheiros químicos saem das ruas. Mas para onde vão os dejetos que eles recolheram durante todo o Carnaval?

Bem, antes que se faça alguma confusão, os banheiros químicos não são transportados com os dejetos. Os dejetos são aspirados por meio de uma bomba de sucção e armazenados em um caminhão de limpa-fossa. Mas esse caminhão leva esses dejetos para onde?banheiro químico

Essa é uma dúvida ainda não muito bem respondida. No mestrado de Isabela Meline, orientada pelo professor César Mota Jr., ela fez um diagnóstico de práticas de manejo de efluentes de banheiros químicos no Estado de Minas Gerais, e avaliou o impacto do lançamento deste tipo de despejo em sistema de tratamento anaeróbio de esgotos.

Não foi possível afirmar nesse estudo para onde os efluentes dos banheiros químicos são encaminhados, principalmente após eventos. Isso porque há uma falta de evidências das informações prestadas. Essa falta de evidências em uma situação relativamente simples de conhecer nos leva à possibilidade real de que os dejetos dos banheiros químicos sejam descartados de maneira inadequada em poços de visita e sistemas de drenagem e até mesmo em cursos d’água.

O lançamento indevido dos efluentes em cursos d’água é uma prática altamente condenável. Ela pode contaminar águas superficiais, diminuir a biodiversidade e até a mortandade de organismos aquáticos, em função da elevada carga orgânica e tóxica dos efluentes. Além disso, os efluentes podem conter uma elevada quantidade de organismos patogênicos colocando em risco a saúde pública.

É por isso que é necessário controlar, fiscalizar e regulamentar o manejo dos efluentes dos banheiros químicos. Falaremos mais sobre esse tema a seguir. Continue a ler.

Regulamentação dos banheiros

A dissertação da Isabela Meline também chegou a conclusão de que existe uma falta de legislação sobre o tema no Estado de Minas Gerais. Há uma dificuldade para se classificar os efluentes dos banheiros químicos.

Em alguns casos os efluentes dos banheiros químicos são tratados como efluentes normais e em outros são tratados como efluentes perigosos. A decisão então fica a cargo do técnico responsável pelo processo de licenciamento ambiental uma vez que a atividade não está listada em nenhuma das categorias de atividades potencialmente poluidoras da normativa pertinente no Estado. Quando é considerado um efluente normal, a legislação permite que ele seja lançado no esgoto convencional, doméstico. Se é tratado como um efluente perigoso, ele passa a ser tratado como “resíduo sólido” e, nesse caso, é regido pela NBR 10.004.

banheiro químico no carnavalA decisão ficar a cargo do técnico acarreta grandes prejuízos. Não há uma diretriz a ser seguida e o responsável pelo processo toma uma decisão de acordo com o que considera conveniente.

A maioria dos prestadores de serviços de saneamento entrevistados nos estudos da Isabela afirmou que não recebe os efluentes dos banheiros químicos em suas estações de tratamento de esgoto (ETE). A motivação para isso é que eles possuem receio desses efluentes comprometerem seus sistemas de tratamento biológico, uma vez que os efluentes de banheiros químicos possuem substâncias tóxicas aos microrganismos, no uso dos desodorizantes.

Os estudos da Isabela também buscaram responder quais são os impactos do lançamento desses efluentes nas ETEs. Mas essa resposta só daremos na próxima segunda-feira, às 18h, no nosso IGTV, no nosso Facebook e no nosso YouTube. Siga nossas redes sociais e fique por dentro!