Você, certamente, todo dia utiliza essa peça, mas muito provavelmente não sabe a história dela. Você já parou para pensar como surgiram os vasos sanitários? E antes deles como eram que as pessoas faziam o número 2? Sabia que fazer nossas necessidades nem sempre foi algo privado? E, pasme, antigamente era até um momento de socialização.

Já falamos aqui sobre a história do saneamento básico no Brasil, mas a origem das privadas é algo ainda mais curioso. Hoje falaremos para você como surgiram os vasos sanitários e porque comemoramos o seu dia em novembro. Siga a leitura e fique por dentro!

Privada para um ato privado

Atender ao “chamado da natureza” nem sempre foi algo privado. Na Roma-Antiga, por exemplo, era comum que o ato de defecar fosse coletivo para realizar debates, banquetes e encontros cívicos. As latrinas coletivas eram instaladas em grandes bancadas de pedra furadas por onde caiam os dejetos. Sob essas bancadas passavam canais de água corrente que levavam esses dejetos para rios distantes da cidade

latrinas eram os vasos sanitários na Roma Antiga

Na Roma Antiga o ato de defecar era coletivo e servia para a socialização.

Já nessa época havia uma preocupação dos romanos em separar a água que seria consumida pela população, encanada em fontes públicas, da água suja, dos dejetos. Na Grécia já era comum enterrar os dejetos ou manda-los para locais distantes de suas casas.

As primeiras galerias de esgoto foram construídas em Nippur, na Babilônia. Mas vários conhecimentos produzidos no período romano foram arquivados durante a Idade Média, gerando alguns retrocessos do ponto de vista sanitário. Os dejetos, por exemplo, eram recolhidos em penicos e jogados pela janela, gerando vários problemas ambientais e de saúde pública.

O vaso sanitário como conhecemos hoje, começou a surgir por volta do século XVI, com tronos de madeira, com um buraco e um coletor dos dejetos. A princípio a peça era exclusiva para famílias mais abastadas, mas a preocupação com o destino dos dejetos começou a ser algo geral.

vaso sanitário da idade média trono de madeira com coletor de dejetos

Tronos de mateira com coletores de dejetos foram os precursores dos vasos sanitários

Aqui no Brasil, os chamados escravos tigres eram responsáveis por levar os dejetos não só de seus senhores, mas também de todos os moradores das casas para rios distantes. Com o tempo, os próprios senhores de escravo perceberam que a atividade era prejudicial não só para os escravos, mas para toda a população.

Mas voltando a história do vaso sanitário, chegamos à idade moderna. Siga a leitura e entenda essa história.

Vaso sanitário, uma invenção moderna

A invenção do vaso sanitário não foi fruto de apenas uma pessoa, mas sim de um desenvolvimento de ideias com direito até a acusação de roubo. Em 1596, o inglês John Harrington, afilhado da Elizabeth I, desenvolveu uma privada com válvulas que quando acionadas liberavam água para o vaso sanitário.

Para divulgar o invento Harrington criou um panfleto com o título “A metamorfose de Ajax”. Mas o sistema moderno de descarga como conhecemos hoje foi desenvolvido depois. O invento de Harrington foi melhorado por Joseph Bramah, que criou uma bacia com descarga de água. Essa bacia era capaz de eliminar os dejetos por sucção.

invento de John Harrington sistema de válvulas que liberava água para o vaso sanitário

Afilhado da rainha Elizabeth I desenvolveu uma privada com válvulas que quando acionadas liberavam água para o vaso sanitário.

Mas é na autoria da descarga que surge uma polêmica. Muitos atribuem ao britânico Thomas Crapper a invenção da descarga, que também teria desenvolvido a tampa dobrável em forma de U em 1860. Entretanto, Crapper apenas patenteou e divulgou várias invenções criadas por outras pessoas.

Em 1885, outro inglês, Thomas Twyford criou a primeira privada em porcelana que substituiu as peças de madeira, descritas anteriormente. Os vasos sanitários com sifão começaram a ser utilizados no final do século XIX e foram popularizados durante o século XX, o que reduziu os odores das casas.

Atualmente a cidade de Stoke-on-Trent na Inglaterra possui um museu financiado pela União Europeia e pela Loteria Britânica, dedicado a contar a história do vaso sanitário. Intitulado Gladstone Pottery, o museu narra a história desse utensílio da antiguidade até os tempos contemporâneos, salientado a importância da peça para a saúde pública.

E por falar da importância do vaso sanitário, você sabe dizer porque devemos comemorar o seu dia? Continue a leitura e entenda.

 

Dia do vaso sanitário e a importância do saneamento básico

A revolução industrial foi um grande marco para popularizar o uso de vasos sanitários e difundir ideais de higiene e saúde pública. Não só na produção de peças de louça, mas também no fomento de pesquisas sobre o tema do saneamento básico.

Entretanto, a ONU aponta que4,5 bilhões de pessoas ainda não possuem acesso a saneamento básico no mundo. Na América Latina 14,3 milhões de pessoas ainda defecam a céu aberto, dados que refletem uma forte desigualdade social no acesso ao saneamento básico.

crianças defecando na rua

No mundo 4,5 bilhões de pessoas ainda não possuem acesso a saneamento básico.

Foi com o intuito de sensibilizar políticos e pessoas sobre o tema que foi criado o Dia Mundial do Vaso Sanitário. Comemorado no dia 19 de novembro, a data foi criada em 2003 por incentivo de lideranças da Cingapura. O World Toilet Day, não ataca somente o problema de defecar ao ar livre, mas também discute os problemas de proliferação de doenças e impactos ambientais da falta de saneamento.

A data para o Brasil é de suma importância, uma vez que, dos gargalos de infraestrutura, o saneamento é o que se encontra mais atrasado. Os impactos da falta de saneamento vão além da saúde pública e do meio ambiente e interferem no próprio desenvolvimento do país.

Para dar continuidade nesse debate e para salientar a importância do Dia Mundial do Vaso Sanitário, no próximo domingo, iremos discutir sobre banheiro público. Acompanhe nosso IGTV e Facebook, por volta das 19h do domingo que publicaremos um vídeo sobre o tema. Aproveite também para nos seguir nas redes sociais e interagir conosco com dúvidas, críticas e sugestões. Até o próximo domingo!