Fórum técnico sobre reatores UASB é realizado com sucesso, confira o relato

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Fórum técnico sobre reatores UASB é realizado com sucesso, confira o relato

Integrar o conhecimento desenvolvido nas universidades com a realidade enfrentada por projetistas, construtores e operadores de estações de tratamento de esgoto. Essa foi a proposta do “1º Fórum Técnico ETEs Sustentáveis: contribuição para o aprimoramento de projeto, construção e operação de reatores UASB aplicados ao tratamento de esgoto”.

O fórum, que aconteceu nos dias 29 e 30 de novembro, no auditório do CREA-MG, é resultado dos trabalhos realizados pelo INCT ETEs Sustentáveis em parceria com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais – Copasa.

Todos as palestras foram idealizadas com o objetivo de apresentar a Coletânea de Notas Técnicas sobre reatores UASB aplicados ao tratamento de esgoto, elaborada pelo INCT ETEs Sustentáveis, publicada em novembro de 2018 em uma edição especial da Revista DAE.

Aproximadamente 200 pessoas participaram do Fórum, contando com a presença de gestores e operadores de ETEs vinculados à Copasa, projetistas, construtores, pesquisadores, estudantes e representantes de órgãos do governo e de empresas que atuam no setor de saneamento. Foram dois dias de debates, confrontando problemas reais, encontrados no dia a dia das estações de tratamento, com as soluções sugeridas pelos pesquisadores para cada um desses problemas.

“Um momento raro”, classificou o funcionário da Copasa em Patos de Minas, Biel Pereira de Matos. “É um momento de troca de experiências, de opiniões. Muitas vezes a gente acredita em uma solução e acaba aprendendo alternativas com a experiência de outros colegas”. Biel foi um dos participantes que fez intervenções, apresentou experiências locais e sugeriu alternativas a problemas comuns em todas as ETEs.

A abertura do evento foi prestigiada com a presença do Professor Carlos Augusto de Lemos Chernicharo, coordenador do INCT ETEs Sustentáveis, do engenheiro Lúcio Fernando Borges, presidente do CREA-MG e da presidente da Copasa, a engenheira Sinara Inácio Meireles Chenna.

Os pontos abordados no fórum foram diversos e contemplaram desde propostas técnicas para melhorar o aproveitamento de biogás nos reatores, até problemas do cotidiano, como a qualidade do material utilizado nos registros da tubulação de amostragem do lodo ou as formas de limpeza das calhas de recolhimento da escuma.

Tecnologia dos reatores UASB

Após a abertura do evento, o Professor Carlos Augusto de Lemos Chernicharo deu início às apresentações e destacou aspectos do tratamento de esgoto sanitário a partir da utilização de reatores UASB.

Os reatores UASB, do inglês Upflow Anaerobic Sludge Blanket, são reatores anaeróbios de fluxo ascendente em manta de lodo. Neste sistema, o esgoto é tratado a partir de processos fermentativos nos quais microrganismos anaeróbios utilizam a matéria orgânica presente no esgoto para se desenvolverem, produzindo o lodo de esgoto e o biogás (subproduto rico em metano, gás com elevado potencial energético).

O Brasil possui o maior parque de reatores UASB do mundo e esta é uma das principais tecnologias de tratamento utilizadas no país. Dentre os motivos para a consolidação dessa tecnologia estão o baixo custo de implantação e operação, simplicidade operacional, baixa demanda energética, além da possibilidade de aproveitamento de seus subprodutos – como exemplo, pode-se citar o uso do lodo em atividades agrossilvipastoris e aproveitamento energético do biogás.

Contudo, problemas nas fases iniciais de projeto ou construção, bem como a negligência de intervenções simples, porém necessárias, conduzem a uma má compreensão ou aplicação da tecnologia. Esses problemas são, na maioria das vezes, de fácil solução, mas tem potencial reduzir a aceitabilidade da tecnologia anaeróbia no país e gerar estagnação dos índices de tratamento de esgoto.

Palestras

Foram realizadas 6 palestras durante o evento, cada uma referente ao tema de uma nota técnica específica, buscando priorizar as questões práticas de cada tema, bem como a participação dos presentes. A Nota Técnica 1, apresentada pelo professor Carlos Chernicharo, corresponde aos tópicos de interesse da coletânea e traz uma introdução e consolidação sintetizada das demais. Logo após, o professor prosseguiu com a apresentação da Nota Técnica 2 – “Tratamento preliminar, bombeamento e distribuição de vazão”.

Nesta nota técnica destacou-se problemas no tratamento preliminar, como geração de odores, afogamento de grades, acúmulo de areia em locais indesejados, falhas na distribuição de vazão, problemas com extravasores, entre outros.

Em seguida, Lívia Lobato, integrante do INCT ETEs Sustentáveis, abordou o conteúdo da Nota Técnica 3 – “Gerenciamento de Lodo e Escuma”. Foram apresentadas medidas para minimização da geração de escuma, prevenção de adensamento, soluções técnicas para remoção de escuma entre outros. Também foram abordadas questões vinculadas ao excesso de lodo, ao recebimento de lodo de Estações de Tratamento de Água, métodos para amostragem e descarte sistemático do lodo.

Na palestra seguinte, conduzida pelo professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Cláudio Leite de Souza, foi apresentada a Nota Técnica 5 – “Biogás e emissões fugitivas de metano”. O professor explanou acerca das características do biogás obtido a partir do tratamento de esgoto sanitário e como o mesmo é formado. O professor mostrou números referentes à composição e ao potencial de aproveitamento energético dos gases. Por fim, destacou a importância da manutenção dos equipamentos e o risco de contaminação ou formação de atmosferas explosivas em espaços confinados, alguns dos cuidados necessários ao trabalhar com o biogás em ETEs.

A palestra inicial do segundo dia de evento foi proferida pelos professores Cláudio Leite de Souza e Emanuel Manfred Freire Brandt, da Universidade Federal de Juiz de Fora. O tema abordado correspondeu à Nota Técnica 4 – “Controle de corrosão e emissões gasosas”.

Os dois descreveram as principais causas da corrosão e as consequências da presença dos gases odorantes na saúde dos trabalhadores, assim como o impacto nas comunidades vizinhas às ETEs. Eles concluíram a palestra ressaltando a necessidade de se escolher materiais resistentes à corrosão e de se manter a manutenção preventiva e constante nas ETEs, visando evitar corrosões nas estruturas e unidades do tratamento.

Na sequência foi apresentada a Nota Técnica 6 – “Qualidade do efluente”. Os responsáveis pela palestra foram o pesquisador do INCT ETEs Sustentáveis, Paulo Gustavo Sertório de Almeida, e o professor, Cesar Mota Rossas Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Nesta palestra foram abordados, sobretudo, problemas relacionados à perda de sólidos no efluente, não atendimento aos padrões de qualidade e deficiências nas unidades de pós-tratamento.

Os dois destacaram a importância de melhorias na gestão do lodo e da escuma e implantação de métodos de pós-tratamento, como fertirrigação ou recarga de aquífero.

Após a apresentação de todas as notas técnicas foi realizado um debate final com os participantes no qual a plateia foi convidada a dialogar com os palestrantes levantando dúvidas e sugestões relativas aos temas tratados nas apresentações. Após a conversa, prosseguiu-se para a cerimônia de encerramento, agraciada com a apresentação do coral formado por funcionários da Copasa.

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Por |2018-12-11T16:34:19+00:0011 de dezembro, 2018|