É muito comum ouvirmos dizer que precisamos de “cuidar” do meio ambiente para garantir a sobrevivência na Terra. Esse cuidar, na verdade, significa se relacionar com o meio ambiente/componente abiótico (ar, solo e água) de maneira a preservar condições adequadas para manutenção da vida humana e das demais espécies.

Por isso, foi criada a Semana do Meio Ambiente, para conscientizar as pessoas sobre os impactos da poluição do ar e das águas, além de problemas como o aquecimento global e a desertificação. A semana se inicia no dia 1º e termina no dia 5 de junho, quando se comemora o dia da ecologia.

Essas datas foram fruto da Conferência de Estocolmo, realizada em 1972 na Suécia. Na época não haviam tantas informações sobre os impactos das ações humanas no planeta. Entretanto, já haviam registros e evidências dos problemas da poluição.

Para entender um pouco mais sobre a importância dessa data e o porquê se preocupar com o meio ambiente, siga a leitura que vamos te contar tim-tim por tim-tim.

Eco o quê?

ecologia

Ecologia: estudo da relação dos seres vivos entre si e o meio em que vivem.

Ecologia é o estudo das relações de seres vivos entre si e entre o meio ambiente. A área se constrói de maneira interdisciplinar misturando biologia, física, química, matemática, antropologia, entre outras. O termo vem do grego, a partir da união das palavras oikos, que significa casa, e logos, que significa estudo.

A primeira vez que o termo foi usado foi em 1866 pelo cientista zoólogo alemão Ernest Haeckel. Entretanto, a origem pode ter vindo de muito antes com os filósofos gregos Hipócrates e Aristóteles, os primeiros a registrar observações sobre história natural.

Haeckel era um grande admirador de Darwin, que por sua vez foi influenciado por Carl Linnaeus, adotando a frase de economia ou política da natureza na Origem das Espécies. Linnaeus foi o primeiro a utilizar o equilíbrio da natureza como uma hipótese testável.

O pensamento ecológico consiste em perceber a interligação dos seres vivos com seu ambiente. O pensador francês Edgar Morin, inspirado nos estudos da ecologia, propôs a epistemologia da complexidade, ou o pensamento complexo, que se caracteriza por perceber que os fenômenos estão interligados de modo intrincado. Dessa forma, não existe uma solução simples e única para um problema.

A aplicação da epistemologia da complexidade seria pensar que não podemos solucionar o problema do desmatamento, por exemplo, somente criando leis que impeçam a prática. Mas identificar quais são as possíveis alternativas e quais outros problemas podem ser gerados. Nesse sentido, é perceber que o desmatamento está associado a uma série de fatores políticos, econômicos, sociais, ambientais, e que é necessário buscar um equilíbrio entre esses fatores para de fato solucionar o problema.

Assim, pensar complexamente exige perceber os fenômenos de forma esférica. Não podemos olhar para só um lado, se não estaremos esquecendo de outro. Além disso, precisamos de ter a premissa de que esse fenômeno está dentro de um contexto, possui uma história e vários agentes envolvidos.

É exatamente sobre o nosso contexto atual que iremos falar a seguir. Siga a leitura e entenda onde se localizam os problemas ambientais atualmente.

A Era da Humanidade

Ao olhar pela janela, ver a paisagem que se colocava ali em sua frente, os pássaros voando para o além do horizonte, sentir o vento frio no rosto, Descartes se perguntava como poderia ter certeza que aquilo era real? Como ter certeza que seus sentidos não o traiam e que as coisas realmente existiam? Como ter certeza de sua própria existência?

Foi então que ele ele percebeu que era o seu pensamento que definia a existência das coisas e de sua própria existência. Uma coisa só poderia existir se ele conseguisse pensar nela. Sua própria existência, então, estava fadada ao seu pensamento.

“Penso logo existo” foi a frase fundadora do chamado Iluminismo e nesse momento mágico, Descartes desloca o ser humano para o centro do universo. É nesse momento que a humanidade passa a perceber que ela não somente constitui a realidade, mas também é produtora dela.

antropoceno atrapalha a ecologia

Não há hoje uma única região da Terra que não tenha interferência, direta ou indiretamente, da ação humana.

Com o passar do tempo começamos a abusar dessa nossa capacidade produtiva. Vieram as Revoluções Industriais que aumentam a nossa produtividade, bem como passaram exigir mais bens naturais (como minério de ferro, petróleo e água), mas também a exigir mais do próprio ser humano. Milton Santos, geógrafo brasileiro, vai dizer inclusive, que o ser humano deixa de ocupar o centro do universo para dar lugar para o capital, mas isso é conversa para outro assunto.

O fato é que a Revolução Industrial permitiu também que os seres humanos vivessem mais e aumentassem a população. Atualmente já são mais de 7 bilhões de pessoas no mundo. O aumento populacional gerou mais mercado, aumentando assim a demanda por produtos, gerando com isso mais extração de recursos naturais.

Não há hoje um só lugar na Terra que não seja impactado direta ou indiretamente pela ação humana. A civilização, assim, possui uma força de alcance planetário e uma duração de abrangência geológica. Por isso, dizemos que estamos vivendo no Antropoceno, termo formulado pelo vencedor do Prêmio Nobel de Química, Paul Crutzen, que une o prefixo grego antropo que significa humano, e ceno, que significa era geológica.

É nesse contexto de desenvolvimento industrial e tecnológico, e aumento da extração e necessidade de bens naturais que se localizam um impasse para a humanidade. Se continuarmos o ritmo acelerado de consumo e exploração em que vivemos, em pouco tempo não haverá recursos básicos para garantir nossa existência. A falta de água já é uma realidade em vários países e crescem a quantidade de problemas relacionados ao aumento da temperatura e a poluição do ar.

É nesse sentido, que não podemos querer qualquer ecologia para poder viver, mas aquela em que permita que nossa existência se equilibre com os recursos naturais que precisamos no planeta Terra.