Falta de estradas, escolas, postos de saúde… Dentre os gargalos de infraestrutura existentes no Brasil, o saneamento é o que se encontra mais atrasado. Mais da metade dos municípios brasileiros não possuíam plano de saneamento básico em 2017. Os investimentos na área retrocederam 40% de 2014 para 2018 e a meta da universalização do saneamento continua sendo prorrogada.

Os impactos desse atraso histórico são danosos. Levantamento feito pelo IBGE mostra que doenças diretamente relacionadas à falta de saneamento ainda são importantes causas de epidemias e endemias no país, representando um custo econômico e social elevado para o Brasil.

Mas por que tanto atraso nessa questão? A resposta para essa pergunta não é simples, muito menos única. Vamos passar por alguns pontos que podem nos ajudar a entender mais sobre esse assunto. Siga a leitura.

Saneamento: um reflexo da desigualdade

Algumas pessoas podem acreditar que os dados do atraso do saneamento básico devem ser Fake News. Essas pessoas com certeza possuem água encanada, banheiro, e na rua onde moram não corre esgoto a céu aberto. Fica até difícil de acreditar que alguns brasileiros não têm acesso à essas infraestruturas básicas.

Quem então não possui acesso ao saneamento básico? A falta dessa infraestrutura assola principalmente quem vive nas áreas rurais, em pequenas cidades e nas vilas e favelas das grandes cidades. Na comparação, a região Norte é a que possui piores índices de saneamento, com apenas 3,5% dos municípios com esgotamento sanitário.

desigualdade reflete falta de saneamento

Falta de saneamento atinge mais negros e pobres.

Se tratando de classe e raça, negros e pobres são menos assistidos do que brancos de classe  . No levantamento do IBGE, em 2015 55,3% dos lares negros possuíam saneamento, contra 71,9% dos lares brancos.

Em resumo: aqueles que já possuem outras vulnerabilidades sociais também sofrem com a falta de saneamento básico. Isso provoca um aumento da pobreza e uma deterioração nas condições de saúde dessas populações.

O saneamento interfere direta e indiretamente no desenvolvimento humano. Dessa forma, sua falta em regiões e para populações já vulneráveis, dificulta a mobilidade social e o crescimento do país.

Políticas públicas ineficientes e processos de intensificação da desigualdade social fazem com que o saneamento se mantenha atrasado no país. A seguir falaremos sobre um outro fator que pode justificar o atraso brasileiro no saneamento. Continue lendo e saiba mais.

Falta planejamento, falta saneamento

Hoje já somos mais de 200 milhões de brasileiros. O crescimento populacional, por sua vez, se deu de forma desordenada. As cidades cresceram com habitações irregulares, o que gerou diversos problemas sanitários.

falta de planejamento sanitário

Falta de planejamento sanitário dificulta universalização do saneamento

Entretanto, mesmo em áreas de classe média, preocupou-se mais no fornecimento de água do que na coleta e tratamento de esgoto. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), mais de 80% da população tem acesso a água tratada, mas somente cerca de 50% da população tem coleta de esgoto. Quando olhamos para os números do tratamento a situação ainda é pior: aproximadamente 46% do esgoto gerado é tratado.

Do ponto de vista mercadológico, é mais lucrativo fornecer água do que tratá-la. Isso porque ainda

A seguir falaremos um pouco sobre o porquê de as obras de saneamento não estarem muito presentes em campanhas políticas. Prossiga a leitura e entenda melhor.

Infraestrutura de saneamento: obras invisíveis

Quem não é tão familiarizado com as questões de saneamento dificilmente conseguirá listar obras de saneamento para além da construção de estações de tratamento de água e esgoto. Entretanto, as obras para coleta de esgoto são ainda mais fundamentais do que as estações de tratamento. Sem a coleta o esgoto correrá a céu aberto, gerando mais riscos de contaminação de doenças, além de impossibilitar de que ele seja tratado.

obras de saneamento

Obras de saneamento são caras, podem causar conflitos e não geram muito impacto político.

A questão é que essas obras para coleta de esgoto muitas vezes são invisíveis, estão no subsolo. Essas obras podem provocar incômodos durante sua implantação, como interrupção do trânsito, deterioração do pavimento das vias, geração de ruídos e poeira, entre outros fatores que contribuem para que a comunidade não reconheça o valor dessas intervenções.. Geralmente, as pessoas só percebem essas obras quando elas estão sendo feitas e logo que são concluídas, são esquecidas.

As obras de saneamento exigem movimentação de terra e podem gerar conflitos com relações às ocupações do solo. Pontuamos novamente que o crescimento populacional no Brasil gerou déficits habitacionais e ocupações irregulares que agravam o problema do saneamento.

O impacto político delas é pequeno justamente por serem invisíveis, enquanto os custos de implantação podem ser elevados, o que faz com que elas sejam negligenciadas nas campanhas políticas e gestões públicas. Nesse sentido, falta .

Para continuar esse debate, no próximo domingo, por volta das 19h, no IGTV e no Facebook, vamos falar um pouco sobre os direitos humanos e o saneamento. Acompanhe nosso blog e nossas redes sociais para ficar por dentro das informações.