Para determinar a eficiência do tratamento de esgoto é necessário monitorar a concentração de parâmetros de qualidade  na entrada e na saída das Estações de tratamento de esgoto (ETE).  Efluentes com elevada concentração de alguns parâmetros após o tratamento, como a matéria orgânica,  quando lançados em um corpo hídrico, pode causar problemas ambientais e sanitários.

No Brasil, a Resolução CONAMA n° 430, de 13 de maio de 2011, dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, tratando não somente dos parâmetros que devem ser monitorados como também suas concentrações. Caso uma ETE ultrapasse a concentração máxima ela pode sofrer punições, como multas.

O tema do nosso blog hoje é sobre a importância desse monitoramento. Continue a leitura e conheça algumas pesquisas realizadas no INCT ETEs Sustentáveis.

Por que o tratamento de esgoto não retira toda matéria orgânica?

A remoção total da matéria orgânica presente no esgoto é muito difícil de ser alcançada, independente da tecnologia de tratamento utilizada. Para isso o processo seria mais demorado e oneroso, além de não ser necessário.

rio poluido com esgoto não tratado

A elevada concentração de matéria orgânica nos rios pode desequilibrar o ecossistema e causar problemas sanitários e ambientais.

Os mananciais possuem uma capacidade de autodepuração. Isso é, eles podem naturalmente se recuperar após receberem uma carga considerável de esgoto. Esse processo depende da vazão, da temperatura, da dimensão do corpo hídrico, e da turbulência do escoamento. No tratamento de esgoto doméstico, os próprios microrganismos presentes no efluente são responsáveis por consumirem a matéria orgânica.

Já posso até escutar você perguntando: mas então por que tratamos esgoto? O esgoto possui uma quantidade de matéria orgânica muito elevada. Isso pode desequilibrar o ecossistema dos mananciais e causar problemas como eutrofização(elevada concentração de matéria orgânica), dentre outros, caso seja lançado sem tratamento.

Além disso, outras cidades à jusante podem utilizar dessa água. Caso uma cidade receba a água com uma quantidade muito elevada de matéria orgânica e muitos microrganismos patogênicos, podem ser gerados problemas sanitários para sua população.

Dito isso já percebemos a importância do monitoramento. Mas você sabe como ele é feito comumente? Siga a leitura e aprenda!

Como é feito o monitoramento de tratamento de esgoto?

Atualmente o monitoramento do tratamento de esgoto é realizado, na maioria das estações, de forma manual pelo operador da ETE. Esse monitoramento deve ser feito nas diversas etapas do sistema, para facilitar a identificação de problemas antes do resultado final do tratamento.

Existem duas formas de amostragem para o monitoramento: a amostragem simples e a composta. Essas amostragens são complementares e servem para funções diferentes.

A amostragem simples é uma coleta em um determinado horário do dia. Ela funciona para se ter uma noção da característica do efluente em certo momento ou picos em determinados horários ao longo do dia que podem ocorrer no tratamento de esgoto.

Já a amostragem composta é uma coleta em diferentes intervalos de tempo do dia (podendo ser de uma em uma hora, de seis em seis horas, entre outros intervalos). As amostragens compostas possibilitam uma visão mais ampla  do desempenho do tratamento do esgoto, porém demanda maior dedicação para que sejam realizadas adequadamente.

Para a realização desse tipo de amostragem, o operador deve ficar pelo menos 24 horas na ETE coletando as amostras. Isso pode sujeitar o operador a alguns riscos de saúde e, por ser realizada manualmente, pode ocasionar problemas na coleta e incertezas nos resultados.

Frente a esses inconvenientes o INCT ETEs Sustentáveis vem estudando a criação de um amostrador automático para o monitoramento do tratamento de esgoto. A seguir iremos falar um pouco mais sobre ele. Continue a leitura e aprenda!

monitoramento da estação de tratamento de esgoto

Todas as etapas do tratamento de esgoto precisam ser monitoradas para garantir a qualidade do serviço.

Monitoramento automático do tratamento de esgoto

Por ser um processo considero complexo e de resultados inseguros, a amostragem simples de efluentes nas ETEs são preferencialmente realizada, em detrimento do uso de amostragens compostas. O amostrador automático Etsus 1000, aparelho desenvolvido pelo INCTS ETEs Sustentáveis em cooperação com as empresas Methanum Engenharia Ambiental, WB Suporte Técnico, Fibrasa e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA), trata-se do primeiro equipamento nacional automático de amostragem composta de fase líquida.

Concebido por profissionais brasileiros e confeccionado com matéria prima e insumos nacionais, o equipamento garante uma amostragem tão eficiente quanto à oferecida pelos produtos importados existentes no mercado, a um preço acessível, promovendo, portanto, a valorização do conhecimento e da tecnologia nacional, a geração de empregos e a otimização da operação de ETEs. Adicionalmente, é fundamental que equipamentos que agreguem tais qualidades sejam concebidos para o efetivo alcance da universalização dos serviços de esgotamento sanitário.

Simples de utilizar, o amostrador automático elimina a necessidade de permanência do operador por mais de 24h na ETE para realizar o monitoramento. Nesse sentido, o Etsus 1000 reduz a necessidade de mão de obra e garante maior segurança e confiabilidade ao monitoramento do tratamento de esgoto.

Para você entender mais o funcionamento desse amostrador, no próximo domingo, por volta das 19h, no IGTV e no Facebook, falaremos sobre o Etsus 1000. Siga nossas redes sociais e fique por dentro das pesquisas sobre saneamento e esgotamento sanitário.