Desde dezembro de 2019 uma pauta não sai dos jornais: o novo coronavírus. A doença que estava restrita ao norte global, já se alastrou para o mundo todo e desde 11 de março de 2020 passou a ser considerada uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde. O coronavírus, causador da doença chamada COVID-19, pode ser transmitido por meio do contato próximo com pessoas contaminadas, a partir da tosse, espirro, gotículas de saliva, e de objetos ou superfícies contaminadas como celulares, mesas, maçanetas, brinquedos e teclados de computador, por exemplo. Mas também já foi detectado nas fezes de pacientes com COVID-19 e, mais recentemente, em amostras de esgoto.

É o que mostra, por exemplo, um estudo realizado nos Países Baixos, que reportou a ocorrência do novo coronavírus em amostras de esgoto do aeroporto de Schiphol em Amsterdã e das estações de tratamento de esgoto (ETE) de Kaatsheuvel e Tilburg.

O INCT ETEs Sustentáveis começou a pesquisar sobre esse assunto e está planejando ações visando a detecção e quantificação da ocorrência do coronavírus em amostras de esgoto.

Hoje discutiremos sobre esse assunto e a importância da universalização do saneamento básico, mas também da necessidade de ampliação das medidas de prevenção para os trabalhadores dos serviços de saneamento. Continue a leitura.

COVID-19, a pandemia do século

Os primeiros casos de COVID-19 foram registrados na China, na cidade de Wuhan, epicentro da doença. Após medidas de restrição de circulação de pessoas e de controle da doença adotadas pelo governo chinês, a cidade e o próprio país vêm registrando a diminuição no número de infectados.pacientes de coronavirus

Atualmente, os Estados Unidos são o epicentro da doença no mundo, com mais de 80 mil casos e 1.000 mortes. De acordo com dados recentes publicados no The New York Times, os Estados Unidos já superaram o número de casos da China, Itália e demais países que apresentaram a doença. O Brasil foi o primeiro país latino-americano a registrar infectados pelo novo coronavírus. Até o dia 26 de março, de acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados no Brasil 2.915 casos confirmados de COVID-19 e 77 mortes.

No mundo todo vem sendo adotado o isolamento social como medida para tentar conter a propagação do novo coronavírus. Entretanto, é primordial a intensificação das medidas de higiene pessoal, como lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou higienizá-las com álcool em gel; e manter ao menos um metro de distância de outras pessoas.

Mas, e quanto a presença do novo coronavírus nas fezes e no esgoto, mencionada no início do texto?

Para entender um pouco mais sobre esse assunto, continue a leitura.

Coronavírus nas fezes e no esgoto: implicações e cuidados

Trabalhos recentes publicados na revista científica Lancet Gastroenterol Hepatol (vol. 5; Abril/ 2020) reportaram a presença do novo coronavírus nas fezes de pacientes com COVID-19.

Como comentado no início do texto, o novo coronavírus também foi detectado em amostras de esgoto do aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, bem como em amostras das Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) das cidades de Kaatsheuvel e de Tilburg. Pensando no Brasil, onde existe um elevado déficit de coleta e tratamento do esgoto, a possibilidade de transmissão via feco-oral do novo coronavírus precisa ser investigada.

Quais as implicações disso para o Brasil e para o setor de Saneamento?

estação de tratamento de esgoto pode ter coronavirusA Nota técnica COVID-19 e o Saneamento no Brasil, elaborada por pesquisadores do INCT ETEs Sustentáveis, destaca as principais implicações e apresenta as ações que estão sendo planejadas pelo Instituto relacionadas a esse assunto.

O monitoramento da presença de agentes infecciosos no esgoto pode ser adotado como estratégia para detecção da presença de doenças ou infecções virais na população. Nesse contexto, o INCT ETEs Sustentáveis está planejando ações visando contribuir para o mapeamento epidemiológico do novo coronavírus, inicialmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Em relação aos profissionais envolvidos com a operação e manutenção dos serviços de esgotamento sanitário e aos pesquisadores que têm contato ou manuseiam amostras de esgoto, as medidas de higiene, proteção e segurança ocupacional, repassadas e adotadas como padrão, são eficazes na proteção contra o novo coronavírus. De qualquer forma, é importante ressaltar a importância do uso de todos os equipamentos de proteção individual por esses profissionais e pesquisadores, incluindo roupas de proteção, luvas, botas, óculos de segurança e máscara facial, para que não sejam expostos a riscos desnecessários.

Na próxima semana, no nosso IGTV, Facebook e YouTube, lançaremos um vídeo explicando mais sobre essa questão. Siga nossas redes sociais e mantenha-se informada(o)!