Você deve se lembrar de 2014 e 2015, quando jornais e população estavam preocupados com uma situação: a escassez de água na região sudeste do país, a crise hídrica. O Cantareira, reservatório de água da cidade de São Paulo, estava com um volume baixo e foi preciso utilizar o chamado “volume morto” para abastecer a cidade. Na época, chegou a se cogitar a possibilidade de racionamento de água.

Mas a situação não estava restrita a São Paulo. Outras cidades, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, também sofreram com o problema. A região Nordeste, comumente associada a falta de água, também registrou problemas, agravado com a maior seca registrada na história.

Você pode estar se lembrando da situação e pensando que isso “são águas passadas”. Deve até ter se convencido de que as devidas soluções foram tomadas e que não devemos nos preocupar mais com esse assunto. Sinto lhe informar, mas o assunto ainda não foi superado.

Algumas causas dessa crise hídrica, como o desperdício de água, ainda não foram contornadas.Além disso, a crise hídrica não é um problema restrito ao Brasil, mas um problema global. De acordo com o World Resources Institute (WRI), mais de 30 países possuem alto risco de sofrerem crise hídrica nos próximos 25 anos.

Para você aprender mais sobre esse assunto e entender tim-tim por tim-tim escrevemos esse texto. Siga a leitura e saiba mais sobre crise hídrica.

Seca e crise hídrica é a mesma coisa?

seca

“Seca” e “crise hídrica” não são a mesma coisa. A seca abrange extensas regiões e possui longas durações. Já a crise hídrica é a incapacidade de suprir a crescente demanda por água.

Antes de começar, é bom fazermos um apanhado conceitual. Isso porque muitas pessoas confundem e acham que crise hídrica e seca são a mesma coisa. Que a falta de água em 2014 e 2015 só foi chamada de “crise hídrica” porque ocorreu no Sudeste, já no Nordeste sempre foi chamada de “seca”.

Acaba que essa crítica tem um pequeno fundo de verdade, porque a região Sudeste é a mais populosa do Brasil e também a que mais consome água. Entretanto, não podemos dizer que o simples fato de ter pouca chuva, é uma crise hídrica. A seca é definida por abranger extensas regiões e longas durações (por exemplo, chover menos em uma determinada época do ano) e fenômenos como el niño. Já a crise hídrica é a incapacidade de suprir a crescente demanda por água.

Para melhor entender essa diferença, podemos fazer um paralelo com a  situação financeira (eu sei, economia também é difícil de entender, mas crises são mais associadas à questão econômica). Uma crise, geralmente, ocorre quando o gráfico de crescimento ou se estagna ou começa a apontar para baixo. 

Como todos nós sabemos, os recursos do planeta são finitos e isso não é diferente com a água. Em contraponto, as cidades e a população estão em franco crescimento. Estima-se que atingimos 7,7 bilhões de pessoas no mundo este ano, que precisam, entre outras coisas, de água para sobreviver.

Nesse sentido, o gráfico de demanda de água cresce junto (e até mais acelerado) com a população. Mas o mesmo não ocorre com a quantidade de água disponível no mundo. Na verdade, ocorre inclusive o contrário devido ao aumento da poluição de reservas de água doce (por isso a necessidade de tratamento de esgoto).

Crise hídrica nas cidades

Crescimento populacional das cidades agrava o problema da crise hídrica

O problema agrava com a concentração de pessoas vivendo em cidades. Isso porque muitas vezes os recursos naturais próximos às áreas urbanas não conseguem suprir a demanda crescente da cidade. Esse é o caso do Brasil, em que a maior parte dos recursos hídricos se encontram na região Norte, onde há menor população.

Outra questão que agrava os problemas são as próprias cidades alterarem o fluxo natural das águas. Mas isso será explicado a seguir, quando falaremos sobre as causas da crise hídrica. Continue a leitura e aprenda mais.

O que causa a crise hídrica?

Você já pôde perceber que o problema da crise hídrica é complexo e que se baseia no aumento da demanda e na diminuição do recurso disponível. Entretanto, se você tem em mente que se trata de um ambiente de escassez, preciso corrigir essa questão. 

Os recursos existem, mas as ações humanas geram escassez. Quando falamos sobre ecologia no blog, explicamos que o meio ambiente é capaz de se adaptar a novas situações, entretanto, essa adaptação pode demorar muito para que volte a ser como antes. A crise hídrica é um exemplo disso.

Comecei a explicar essa questão quando falava que o aumento populacional gerou maior demanda de água e com isso a crise hídrica, mas aqui irei me deter mais detalhadamente.

Crise hídrica de São Paulo

São Paulo possui 3 mil quilômetros de rios canalizados.

Utilizarei o exemplo de São Paulo, onde a crise hídrica foi mais alarmante. A cidade, em seu processo de crescimento, acabou mudando os fluxos dos rios, retificando seus cursos, canalizando e assoreando diversos outros. Atualmente mais de três mil quilômetros de rios estão canalizados na cidade de São Paulo.

A prática não é exclusiva da capital paulista, mas uma tendência nacional. Belo Horizonte, por exemplo, é a segunda capital com mais rios canalizados no Brasil.

Essa prática gera problemas nas reservas hídricas das cidades. Isso porque um rio não existe isolado, mas se encontra em um ecossistema (lembrando nosso texto sobre ecologia de novo), uma rede de bacias que dependem direta e indiretamente entre si.

Dessa forma, para que um corpo hídrico não tenha seu volume alterado, não é necessário que chova somente em torno de sua área, mas em toda uma região. A água que cai próximo da sua casa pode ser incorporada pelo solo e só depois vai para um corpo hídrico.

O crescimento desenfreado das cidades também gerou outros problemas como a falta de saneamento básico. Muitas vezes os empreendimentos imobiliários só se preocuparam com o abastecimento de água e negligenciaram o esgotamento sanitário, 81% dos municípios brasileiros despejam esgoto em rios. E se poluímos nossos rios como poderemos garantir o abastecimento de água no futuro?

Esgoto impactando na crise hídrica

A falta de tratamento de esgoto diminui a oferta de água doce.

Diante dessa situação, o que nós podemos fazer? No domingo, por volta das 19h, lançaremos um vídeo no IGTV e no Facebook sobre isso. Fique ligado(a) e mantenha-se informado(a). Compartilhe também esse conteúdo com algum amigo ou familiar que precisa saber sobre essas informações.